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Elementos meteorológicos que afetam a produção de uva

Posted On 28 nov 2014
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A videira é influenciada por diversos elementos meteorológicos do clima, dentre eles as temperaturas, chuvas, radiação solar, ventos, umidade do ar. A temperatura do ar apresenta diferentes efeitos sobre a videira, variáveis em função das diferentes fases do ciclo vegetativo ou de repouso da planta, conforme exposto a seguir.

Temperaturas de inverno: a videira é bastante resistente às baixas temperaturas na estação do inverno, quando se encontra em período de repouso vegetativo. As cultivares americanas e híbridas são mais resistentes ao frio que as cultivares viníferas, podendo resistir à temperaturas entre -20°C e -30°C. Essas temperaturas não ocorrem nas atuais regiões vitícolas brasileiras. O frio invernal é importante para a quebra de dormência das gemas, no sentido de assegurar uma brotação adequada para a videira. Segundo o zoneamento climático para o estado do Rio Grande do Sul (1994), as cultivares americanas necessitam de mais de 100 horas de frio (abaixo de 7ºC) para uma boa quebra de dormência. Exemplificando, Bento Gonçalves, localizada na região vitivinícola da Serra Gaúcha apresenta, de maio a agosto, um total médio de 358 horas de frio abaixo de 7,2ºC, não apresentando, portanto, qualquer restrição ao cultivo de americanas em relação à exigência de frio invernal. Em anos com pouco frio pode ocorrer menor índice de quebra de dormência das gemas da videira.

Temperaturas de primavera: de forma genérica considera-se a temperatura de 10ºC como mínima para que haja desenvolvimento vegetativo. As geadas primaveris podem causar a destruição dos órgão herbáceos da planta. A partir do período de brotação da videira ela é sensível a frios abaixo de –1,1ºC. Assim, regiões com elevado risco de geadas durante o período vegetativo da videira devem ser evitadas. O plantio de cultivares de brotação precoce não é recomendado em locais com riscos moderados a altos de geadas tardias. O plantio de cultivares de brotação tardia em locais com riscos baixos a moderados de geadas é prática corrente na viticultura. Contudo, as videiras americanas, quando danificadas por geadas tardias no início da brotação, podem apresentar brotação das gemas dormentes da base dos ramos, que são gemas férteis, o que pode assegurar uma colheita, ainda rentável,  mesmo que inferior à normal. Os danos por geadas dependem da intensidade do frio, da época de ocorrência e do estádio fenológico da planta.

Temperaturas de verão: condições térmicas muito quentes podem resultar na obtenção de uvas com maiores teores de açúcares, menor acidez e, nas cultivares tintas, menor intensidade de cor. A Tabela 1 apresenta a soma térmica média necessária à maturação de diferentes cultivares de uvas americanas e híbridas destinadas à agroindústria. Os dados são da região da Serra Gaúcha e podem servir como indicativos aproximados para outras regiões do sul do Brasil. Para se estimar a data de colheita da uva de uma determinada cultivar, deve-se fazer o somatório das temperaturas médias do ar superiores a 10ºC subtraída da temperatura basal de 10°C, dia a dia, a partir da brotação da videira até atingir a soma térmica para a cultivar em questão. O resultado da soma térmica é expresso em graus-dia.

Temperaturas de outono: elas afetam o comprimento do ciclo vegetativo da videira, o que é importante para a maturação dos ramos e a acumulação de reservas pela planta. A ocorrência de geadas outonais acelera a queda das folhas e o fim do ciclo vegetativo da planta.

Precipitação: a precipitação pluviométrica é um dos elementos meteorológicos mais importantes na viticultura. A videira é uma cultura bastante resistente à seca. Para a videira influem não somente a quantidade total de chuvas, mas também sua distribuição ao longo do ciclo vegetativo. As chuvas de inverno têm pouca influência sobre a videira. É importante que os solos apresentem disponibilidade hídrica adequada no período de brotação das plantas. Durante a primavera, as chuvas são importantes para o desenvolvimento da planta, porém, em excesso, podem favorecer o desenvolvimento de algumas doenças fúngicas da parte aérea, bem como afetar fases importantes da videira, como a floração e a frutificação, causando baixo vingamento de frutos e desavinho. De uma maneira geral observa-se que nas condições sul-brasileiras médias, as chuvas de verão ocorrentes caracterizam um clima de ausência de seca para a videira. Elas tendem a ser excedentárias. Em períodos chuvosos durante a fase de maturação das uvas, verifica-se com freqüência a colheita antecipada das uvas, em relação ao ponto ótimo de colheita. Essa prática adotada pelo viticultor para evitar perdas de colheita causadas por podridões do cacho impõe limites à qualidade das uvas destinadas à agroindústria. Após a colheita das uvas, a importância das chuvas diminui, podendo resultar em crescimento da planta e na ocorrência de doenças fúngicas da parte aérea.
Cabe destacar que a ocorrência de granizo é um fenômeno prejudicial à viticultura, onde os maiores danos são causados durante o período do ciclo vegetativo que vai da brotação à colheita das uvas.

Radiação Solar: a videira é uma planta exigente em luz. O manejo do dossel vegetativo do vinhedo deve proporcionar uma boa exposição foliar à radiação solar. Durante o período de maturação das uvas a evolução do teor de açúcar é favorecido peça ocorrência de dias ensolarados.

Umidade relativa do ar: vinhedos localizados em áreas com umidade relativa do ar elevada estarão mais sujeitos à incidência de doenças fúngicas, em particular o míldio, em relação àqueles situados em condições com menor teor de umidade.

Ventos: os ventos podem causar danos à vegetação, pois os ramos jovens rompem-se com relativa facilidade, resultando na diminuição da produção do vinhedo e em dificuldades na poda de inverno. Nessas situações, os vinhedos devem ser protegidos com quebra-ventos. Já as condições de relevo do terreno possibilitam a seleção de áreas para a viticultura com um mesoclima particular. É o caso das encostas bem expostas com exposição Norte. Normalmente menos férteis que as condições de fundo dos vales e com maior insolação e drenagem, possibilitam colheitas menos abundantes, porém geralmente com melhor qualidade. Nestas condições, há necessidade de adoção de práticas de conservação do solo. As condições de declividade do terreno vão definir, juntamente com a exposição, a incidência de maior ou menor insolação. Situações de alta declividade do terreno não são recomendadas, seja pelos riscos de erosão, seja pela dificuldade de mecanização.

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