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Cultivo da uva no Vale do São Francisco

Posted On 15 nov 2014
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A cultura da uva na região do Submédio São Francisco reveste-se de especial importância econômica e social, pois constitui, junto com a manga, uma das principais frutas da pauta de exportação desta região e destaca-se entre as culturas irrigadas como a mais importante para comercialização no mercado interno. A participação da produção de uva do Submédio São Francisco na pauta das exportações foi da ordem de 19.627 toneladas e 20,4 milhões de dólares no ano de 2001, enquanto a do país foi 20.660t e um volume de 21,5 milhões de dólares. Essa participação, equivale a 95,0%, do valor das exportações brasileira com uva.

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A produção voltada para um mercado de uva sem sementes de qualidade  passa a exigir, cada vez mais a utilização de novas tecnologias, mão-de-obra qualificada e serviços especializados, tanto no processo produtivo, quanto nas atividades pós-colheita. As exigências atuais das cadeias de abastecimento de uva finas de mesa de qualidade, baseadas em novas convenções de mercado constituem uma ameaça aos sistemas produtivos convencionais praticados pela maioria dos produtores da região. A capacidade de adotar as novas normas e convenções relativas a qualidade se converte numa ferramenta fundamental para alcançar um lugar privilegiado nos mercados, pois prevalecerão como fatores diferenciais na concorrência o controle e a certificação dos processos produtivos.

São tais exigências que passarão a arbitrar entre aqueles que estarão incluídos ou excluídos do exigente mercado de suprimento de uva finas de mesa. Nesse contexto, também emerge um contingente de pequenos e médios viticultores profissionalizados que, além de cumprirem uma função social importante, passaram a cumprir um papel no abastecimento do mercado doméstico e a buscar um espaço no mercado externo.

Em documento publicado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento (Brasil, 1997), a uva cultivada no Nordeste aparece como aquela que proporciona a maior geração de empregos entre as diversas culturas perenes e anuais, atingindo mais de 5,0 empregos/ha/ano. Entretanto, as evidências empíricas indicam uma forte redução do número de trabalhadores necessários para condução do cultivo da uva na região para 2,0 a 3,0 empregos/ha/ano. Em função das mudanças da base técnica de produção, com a adoção de sistemas automatizados de irrigação, novas técnicas de manejo cultural, novos métodos de organização do trabalho, aliadas às estratégias de escalonamento da produção, é possível uma melhor otimização do uso da mão-de-obra. A tendência é de redução na relação emprego/hectare de uva cultivada. No entanto considerando as características históricas de êxodo rural e sofrimento devido à seca, embora empregue pouco a cultura é muito importante pois irriga dinheiro nas cidades, fazendo com que os municípios produtores se desenvolvam econômica e socialmente.

Por estes e por muitos outros aspectos, a cultura da uva pode ser considerada hoje a cultivar que mais modifica socialmente os envolvidos no seu processo de produção, pois diferentemente da laranja produzida por São Paulo, a uva do São Francisco é produzida em sua maioria por pequenos proprietários que organizados respondem por mais de 95% da produção de uvas finas de mesa produzidas e consumidas hoje no Brasil.

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