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alimentos biofortificados

Alimentos Biofortificados

Pesquisas científicas permitem a inserção de nutrientes em alimentos como feijão, abóbora e arroz. Para debater o assunto, o Conexão Ciência convida André Dusi, pesquisador da Embrapa.

Feijão e arroz enriquecidos com ferro e zinco. Milho, batata-doce e mandioca acrescidos de vitamina A. Esses são só alguns dos muitos alimentos que estão se tornando biortificados, graças à ajuda da biotecnologia, e que em breve poderão ser encontrados nas prateleiras dos supermercados.

Segundo a nutricionista Neuza Maria Brunoro Costa, membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, muito mais do que fontes de nutrientes, os alimentos biortificados são poderosos aliados no combate a doenças crônicas, como diabetes e colesterol.  A seguir, confira uma entrevista com a especialista e entenda melhor como funciona essa nova técnica. Mas e aí quais os riscos e benefícios? Será esta uma nova caixa preta como os transgênicos?

O que é esse processo chamado biofortificação? Quais são seus benefícios?
Maria Brunoro: É uma técnica capaz de enriquecer alimentos com determinadas substâncias, entre elas o ferro e o zinco, cujas carências estão relacionadas a doenças. Com esse método, também é possível introduzir ou aumentar teores de compostos bioativos, como flavonóides, polifenóis, licopeno e vitamina E, antioxidantes que previnem o envelhecimento e o câncer. Em resumo, a biortificação é uma estratégia para disponibilizar alimentos de melhor qualidade nutricional, visando melhorar o quadro de saúde das pessoas do Brasil como um todo.

Os alimentos biofortificados já existem ou são uma promessa da ciência?
Maria Brunoro: Sim, eles existem. No Brasil, a rede BioFORT, que é uma iniciativa de pesquisa em alimentos biortificados, já desenvolveu muitas variedades, como milho, batata-doce e mandioca enriquecidos com betacaroteno, um antioxidante natural e precursor da vitamina A. O feijão, arroz e o trigo, por sua vez, são enriquecidos com zinco e ferro. Além disso, existem algumas pesquisas em andamento para desenvolver abóbora enriquecida com vitamina A. Nas Filipinas, já existe o exemplo do arroz dourado que é fonte de betacaroteno.

Como esses alimentos são desenvolvidos?
Maria Brunoro: A biortificação é possível por meio do cruzamento de variedades ou da introdução de genes de interesse (transgenia). A maioria das variedades obtidas pela rede BioFORT, por exemplo, é resultado de cruzamentos com objetivo de obter plantas mais aptas a reter zinco, ferro ou mais eficientes na produção de betacaroteno. Já o arroz dourado, um produto que ainda não foi aprovado para consumo, é transgênico. O caso dele é bastante interessante, porque o arroz por si só não é capaz de produzir betacaroteno, mas essa variedade recebeu genes de outros organismos que conferem ao alimento essa capacidade.

Qual a sua opnião sobre os alimentos transgênicos? São seguros para consumo?
Maria Brunoro: Os alimentos transgênicos foram amplamente testados em diversos países, seguindo as padronizações estabelecidas pela FAO (Orgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Em todos esses anos, nunca se encontrou evidência de que eles apresentem risco toxicológico ou alergênico superior às suas versões convencionais. Além dos testes, em vários anos de amplo consumo pela população mundial, nunca foi registrada uma reação adversa sequer. Esses alimentos só são liberados pelos órgãos competentes, como a CTNBio, após ampla análise de segurança alimentar e, portanto, são seguros para consumo.

Qual é a importância da biofortificação como estratégia de saúde pública?
Maria Brunoro: Essa técnica é uma das diversas alternativas das quais podemos lançar mão para garantir a saúde da população, mas é especialmente relevante porque permite combater determinadas carências nutricionais. Na Ásia, por exemplo, a carência de vitamina A é a maior causa de cegueira entre crianças. Naquele continente, a maior parte da população tem dificuldades de acesso a fontes vitamínicas, como frutas, legumes e verduras. Nesse contexto, faz todo sentido combater a carência por meio da disponibilização de arroz, alimento base das populações asiáticas, enriquecido com betacaroteno.

E quanto ao Brasil? Como a biortificação pode ser útil?
Maria Brunoro: Aqui no Brasil, em decorrência da elevação da renda e o avanço dos indicadores sociais, a ocorrência de desnutrição diminuiu consideravelmente. Em contrapartida, os problemas associados à obesidade tem aumentado exponencialmente. Graças a isso, os casos de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, que antes começavam a aparecer por volta dos 40, 50 anos, hoje têm ocorrido cada vez mais cedo. De qualquer maneira, iniciativas como a rede BioFORT tem impacto direto na saúde da população mais carente e podem ser ferramentas para educação alimentar de todos os cidadãos.

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